Assistimos recentemente à notícia de mais um aumento das propinas para todos os ciclos do Ensino Superior, sendo que a Licenciatura subirá para os 999€, podendo os Mestrados e Doutoramentos atingir valores exorbitantes até 5000€. A posição da AEFLUL sobre este assunto não podia ser mais clara: somos contra a existência de propinas, logo, qualquer aumento merecerá a nossa mais viva oposição. Não é de ânimo leve que assumimos esta postura - acreditamos que o Ensino Público, em todos os seus graus, deve ser gratuito, de qualidade e universal.
Agora, como se não bastasse, assistimos em Letras à exigência do pagamento da primeira prestação da propina antes da inscrição, tendo como consequência do não pagamento a impossibilidade de inscrição. A AEFLUL considera esta exigência como um novo obstáculo colocado aos estudantes, uma vez que não tem em conta a situação económica dos mesmos e a realidade concreta vivida actualmente, podendo transformar-se num novo impedimento à inscrição de imensos estudantes. Esta medida, como tantas outras, representa também uma crescente elitização do Ensino Superior. Por isto, prometemos o nosso combate com vista a alteração da mesma. Nesta luta, contamos com todos os estudantes!
Importante é também não esquecer que o principal motivo que leva as Universidades a aumentarem as suas propinas, e as faculdades a sobrecarregarem assim os seus alunos, é o sub-financiamento do Ensino Superior: por outras palavras, o Governo (em nome da crise, do défice e agora da Troika) envia cada vez menos dinheiro às universidades. Deste modo, o Governo desresponsabiliza-se, deixando as universidades em situação de se terem de financiar para conseguirem sobreviver. E, consequentemente, os estudantes são sobrecarregados, uma vez que, a instituição da qual fazem parte não faz uso do seu peso institucional para exigir o financiamento de que necessita. É por isto e por tudo mais que os estudantes não podem ficar calados; devemos fazer ouvir a nossa voz. Mormente, quando consideramos a educação como um dos pilares da nossa sociedade; quando sabemos que a educação é um investimento, que tem a sua despesa, e é o Estado que tem de a assegurar; quando sabemos que quanto maior for esse investimento, mais provável é que a sociedade ganhe a curto/médio prazo mais capacidade, mais competência e mais eficácia. Assim, a educação não deve estar sujeita a este tremendo ataque ao Ensino Público. A crise financeira não pode ser usada como desculpa para que não se financiem as Universidades Públicas e para que se sobrecarregue desta forma os estudantes ainda para mais, sendo o investimento no Ensino Superior uma medida fundamental para ultrapassar essa crise.
Este assunto não diz respeito apenas à AEFLUL, diz respeito a todos os estudantes, que devem estar unidos nesta árdua luta por um Ensino Superior gratuito e de qualidade. É por isso que apelamos a uma maior mobilização junto de todos, para que juntos consigamos alcançar este objectivo.